domingo, julho 01, 2012

Um Sete Zero

Dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem. Eu nunca havia entendido muito bem essa afirmação até morar no mesmo apartamento que uma cachorrinha: Alanis!
Alanis no dia da sua chegada a nossa casa!

Há 2 anos, quase 3, uma bolinha de pelo veio morar conosco! Eu, claro, toda ressabiada: "Cachorro em apartamento? Ihhhhh... acho que isso não vai dar muito certo não!". Claaaaro! Fechava a porta do meu quarto pra ela n poder entrar, pois havia acabado de me mudar e ainda dormia em um colchão no chão. Um belo dia, por conta do calor, esqueci a porta aberta, e qual foi a minha surpresa? No meio da noite, senti uma coisinha peluda chegar perto de mim e deitar com as costas nas minhas. Pronto, derreti! Dali em diante, meu quarto e meu coração viraram territórios livres pra ela! E meu colchão se tornou o lugar preferido pra ela dormir!


Alanis dormindo ao lado do colchão da Tia Milla!


E assim foram passando os dias, os meses... Depois de muitas havaianas comidas, de muito papel higiênico espalhado pela casa até que "Nanis" se educasse e aprendesse que isso não pode ser feito (algumas vezes ela ainda se esquece no caso das Havaianas), fomos ganhando muito! Não há nada que se compare à sensação de alegria que se sente quando depois de um cansativo dia de trabalho vc é recebido com a maior festa por ela! É muito interessante ver como ela se ajusta à rotina de todas as moradoras da casa, como sabe o momento em que estamos chegando e fica ansiosa, correndo por todos os cantos e latindo para anunciar que tem alguém de casa entrando no prédio... É muito bom saber que na hora em que seu despertador tocar pela manhã, vc vai ser muito bem acolhido por festinha e lambidinhas de bom dia. E que se vc não se levantar com o despertador, não tem como perder a hora do trabalho, porque ela te lembra, puxando para cima da cama a sua toalha de banho (sério, ela já fez isso umas duas ou três vezes comigo!). 

Alanis no níver da mamãe Nanda!

Alanis torcendo pelo Hexa!

Alanis sorrindo para a foto

Nesse feriado, pra não ficar monótono, resolvi pegar o diacho de uma virose (um tal de Norovírus). É... virose com tudo que se tem direito. E para a minha surpresa total, entre uma ida e outra ao banheiro para passar mal, quem estava sempre ao meu lado, com a maior carinha de preocupada, e pronta para me encher de mimos e carinhos? A minha enfermeirinha e companheirinha de plantão!

Alanis tomando conta da tia Milla

Enfim: hoje eu consigo entender porque dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem. A lealdade e o amor incondicional que esses animaizinhos são capazes de demonstrar, muitas vezes faz com que a gente tenha pena do estado de involução que o ser humano anda...

"Nanis"! Titia te ama muito, bebê!!! Espero que vc complete muitos, muitos, muitos aniversários ao nosso lado, nos ensinando a ser mais humanos e melhores pessoas!
Que Papai do Céu te abençoe!!


"Nanis" enquanto tia Milla escrevia essa postagem! :D

quarta-feira, junho 27, 2012

Um Meia Nove

Ano passado estava eu bordejando por SP, quando no meio da estação de metrô da Sé (eu acho), tinha algo lá perdido! Prontamente, fiz o que? Toquei!


Toquei uma música simples para não passar vergonha, pois ando enferrujada! Dedinhos de pianista aposentada não são muito ágeis! Mas imediatamente as pessoas começaram a parar para ouvir... Em poucos minutos uma pequena multidão começou a se formar e antes que ela aumentasse de tamanho, me levantei e segui meu caminho...

Mas quando "Pour Elise" começa a atrair multidões, é hora de parar pra pensar... Essa música é linda, mas toca em caixinhas de música, brinquedos de parque, espera de telefone, é extremamente repetitiva, e quem a ouve por muito tempo, começa a ter zumbido... Mesmo assim, uma pequena multidão se formou ao redor do piano, e não era composta por idosos, mas por adolescentes e crianças, que em plena era digital se sentiram atraídos pelo som do martelar de cordas de um instrumento dos mais antigos que existem...

Impressionante como o mundo anda carente de beleza e boa música!

Voz Um meia oito

Sabe duas coisas que eu ultimamente não tenho vivido sem?


Gastrite e rinite... façam o favor de me errar? Cansei, poxa...

quarta-feira, junho 20, 2012

Um meia sete!


A flor nasceu. Na minha vida nasceu a flor. A flor branca, clara, Edelweiss dos trópicos!

Ah, Papai do Céu!!! Algumas vezes vc me irrita! Esse zumbido irritante do medo no meu ouvido cansou! Não quero mais!

Outro tempo começou pra mim agora! E nada de deixar nem a rua nem a vida me levar! EU me levo! Se sou senhora da minha mente, da minha vida e dos meus sonhos, nada me detém! Quer brigar comigo? Lutei muito tempo contra meus instintos! Agora? Agora sou mais eu! Agora eu tenho a flor!

Calma? Calma eu estou! A flor nasceu! E ela é forte, suave e brilha!

Sim! Ela brilha! Como sempre brilhou mas nunca ninguém havia percebido!

Deixa a flor guiar seus passos! Deixa ela te iluminar!

Deixa a flor ser você!

Só você Nina Rosa!

terça-feira, junho 19, 2012

Um meia meia...

Vivemos nesse eterno acorda, trabalha, almoça, trabalha, volta pra casa, janta, estuda, dorme, assiste TV, escreve no blog, facebook, telefona pra alguém... A gente vive pra trabalhar e trabalha pra viver. Ou melhor, trabalha pra pagar contas e o dinheiro nunca chega. Nossa vida vai passando, sem nos darmos conta de que ela está indo embora, e que a cada salário recebido é um mês a menos que temos a receber.

Parodiando minha música do momento, "Tô ficando velha e louca". Diria que to ficando velha e analógica. Esse é meu lema atual. Cansei do virtual: quero o real! Quero pegar um livro e sentir o cheiro do papel. Quero ir a um cinema ver um filme e comer pipoca! Prefiro uma boa locadora de DVD a filmes baixados na internet. Adoro aquela coisa de ir até as prateleiras, escolher um filme qualquer e assisti-lo em casa comendo um monte de besteira engordativa e com gordura trans! Que saudade de ir a uma loja e escolher um CD, de esperar uma carta chegar do correio e de esperar os filmes da Tela Quente começarem... 

Morro de saudade do tempo em que escutávamos rádio com a fita cassete dentro dele. Quando tocavam os primeiros acordes daquela música esperada, o REC era acionado, e lá estávamos nós gravando a música preferida, que seria repetida milhares de vezes no Walkman até que a fita se gastasse! Sinto falta de escolher um livro naquela revistinha do Círculo do Livro e esperar ele chegar em casa... de ir até a banquinha de revista e sair contente com um pacote de figurinhas do mais novo álbum! Sinto falta de colocar o filme pra revelar e aguardar ansiosamente pelas fotos, mesmo que fosse pra descobrir que todas saíram com o dedo na lente, ou com os olhos vermelhos!

Perdemos o sabor da espera. Da delícia angustiante de aguardar por uma coisa que desejamos muito e finalmente saborear o sabor da conquista quando a conseguimos. Ganhamos com a velocidade gritante do mundo? Sem dúvida! Mas perdemos tanto também... Perdemos pequenas coisas que são muito difíceis de recuperar...

Hoje entendo o tom nostálgico que sentia quando fatos da infância e adolescência eram narrados por minha avó, minha mãe, minhas tias... é um gosto de saudade, que nenhum tablet pode nos dar. O mundo digital pode ser lindo, mas a era da "annalogia" sem dúvida era muito mais gostosa!

Queria "annalogizar" um pouquinho a nossa realidade...

segunda-feira, junho 18, 2012

Meu... 165ª

"Nem vem tirar meu riso frouxo...



Com algum conselho...


Que hoje eu passei batom vermelho!



Eu tenho tido a alegria como dom!
























Em cada canto vejo um lado bom!"


:)
Mallu Magalhães

Os Dramalhões - 164ª



Momento Besteirol: o retrato de draminhas básicos do dia-a-dia... Só pra constar! rs Cliquem em cima que amplia!

A Parte I - The Drama King


A Parte II - Agora é minha vez! The Drama Queen! rs



163ª - Alguma Voz

Quando criei esse blog, o fiz com a intenção de desabafar, mas sem me comprometer ou me mostrar tanto. Ironia, pois desde 2006 fui lançando aqui fragmentos de mim, de minha vida, de meus pensamentos, de momentos... pedacinhos que apelidei de vozes, pois é a voz que expressa na maior parte das vezes tudo isso que acabei de citar.

Neste mundo que aqui criei, eu era a cidade e ela estava contida em mim. Contida que estava, fui deixando-a sair. Alguns momentos fizeram com que as vozes se calassem, outros com que gritassem. E elas gritaram com todo ardor o que queriam dizer.

Hoje paro pra ler muitas dessas coisas e sinto inocência em minhas palavras. Em outros ditos sinto arder a crítica, o silêncio ou até mesmo o ócio total no qual repousavam meus dizeres. Algumas vozes parecem saídas não de mim, mas ditadas por alguém que estava sentado ao meu lado, me dizendo o que escrever apenas para que alguém pudesse ler aquilo e sentir-se bem. Outras realmente foram ditas por outros autores, mas retratavam o que eu queria dizer na hora. Tudo devidamente referenciado. 

Depois de 6 anos de blog, muita coisa mudou. Eu amadureci, o mundo adoeceu e não se curou, pessoas partiram sem deixar um adeus e outras disseram adeus pra nunca mais voltar... Mas eu continuo aqui. O Vozes permanece vivo, e cada vez mais pessoas se juntam aos que curtem e o lêem com certa frequência.

É bom saber que pelo menos algo em minha vida permaneceu constante, apesar das plenas metamorfoses pelas quais fui acometida: a escrita.

Que ela permaneça firme, me acalentando e me curando durante muitos e muitos anos.



quarta-feira, março 07, 2012

162ª Voz - Fábula


Um dia te faço uma fábula de amor
.
Doce, terna, piegas como todo amor sempre há de ser.

Como toda fábula, terá um toque mágico. Talvez uma Porta que nos leve a um mundo novo de Imaginação. Lá encontrarás roseiras, princesas, dragões e outras luas.

A minha fábula terá nós dois e o final será um "para sempre", pois tudo que é feliz deseja-se
eterno e faz-se imortal mesmo que chama.

A nossa fábula se passará em um quintal. Nele não se extinguirão as horas nem as palavras.

Nele nada acaba e corre um rio que nunca é o mesmo.

Um dia te faço uma fábula. E quanto tu acordares verás que a realidade é ainda melhor que o
sonho.

Te amo!

- Anna Emíllia Meira Soares - SSA 08/03/2012

sexta-feira, agosto 26, 2011

161ª Voz - Cansada...


Estou cansada do cansaço de nada sentir
Da falta de razão ou de esperança
Estou cansada de querer que tudo acabe
E de não ver motivos pra continuar
Cansada da falta de forças e de quereres
A não ser o querer paz

Estou cansada de forçar sorrisos
De me fazer de forte
e forçar mais, e mais, e mais
Estou cansada de me esticar pra por o chapéu
Onde a mão não alcança
E nem assim ter direito a férias

Cansada de querer ter fé
Cansada de não ver mudanças
Cansada das mudanças e da vida
De não saber o que o destino aguarda

Estou cansada e esse cansaço que não cede
É só uma voz que me lembra de minha humanidade
De ser sozinha, de estar sozinha
De cuidar e não ser cuidada
E de não poder sequer cuidar de mim
tão cansada
esgotada, enfim

Cansada de pedir socorro e ele ser mudo
ou pelo menos não ser ouvido ou lido por olhos atentos
Cansada do mundo que jogaram em minhas costas
E da culpa que carrego por estar cansada

Afinal, é minha obrigação...
Ou ninguém carrega o peso de uma luta sem final feliz?

- Anna Emíllia Meira Soares - 23 de agosto de 2011

terça-feira, abril 12, 2011

161ª Voz - Ouço o silêncio


O apego insiste em me rodear
Me prende a pessoas, passado, lembranças
Me apego e pego nas pegadas de outra vida
Que não me pertence mais e me tem

Ouço o silêncio das canções que vem de cima
Não dizem nada, mas as sinto e posso tocar
Toco lembranças intocadas por outras mãos
Recordações só minhas que eu já não quero mais

O apego cala a dor de não poder
Me pertencer ou pertencer a esse lugar
Em suas mãos minhas canções não choram mais
Lágrimas rolam para dentro desse olhar

Ouço o silêncio das canções que vem de mim
E que se calam por não saberem gritar
E ao cantá-las como canta o coração
O som é mudo...

O apego insiste!

Anna Emíllia Meira Soares - 12 de abril de 2011




terça-feira, março 29, 2011

160ª Voz - Para Dona Neusa


"De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo fazendo o meu eu

Se queres partir, ir embora,
me olha de onde estiver,
que eu vou te mostrar que eu to pronta!
Me colha madura do pé!

Salve, salve essa nega,
que axé ela tem!
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila
teu rebanho tá pronto!

Teu olho que brilha e não para,
tuas mãos de fazer tudo e até
a vida que chamo de minha...
Neguinha te encontro na fé!

Me mostra um caminho agora!
Um jeito de estar sem vc...
O apego não quer ir embora...
Diacho! Ele tem que querer!

Ó meu Pai do Céu! Limpe tudo aí!
Vai chegar a Rainha precisando dormir
Quando ela chegar Tu me faz um favor:
Dê um banto a ela que ela me benze aonde eu for!

O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
teu lar é no reino divino
Limpinho, cheirando alecrim!"

Maria Gadú - Dona Cila

terça-feira, março 15, 2011

159ª Voz - Amar ao próximo como a si mesmo!




Lei moral máxima e tão difícil de seguir...
É fácil amar quem te dá amor, quem é compreensivo, quem te entende, faz todas as suas vontades... Fácil amar alguém que nunca te contesta ou fere...

Mas como amar aquele que te odeia, que te machuca, maltrata, fere? Como amar aquele que mata, estupra, negligencia? Ainda vou precisar voltar nesse planeta muitas e muitas vezes antes de aprender a como fazer isso.

Espero um dia chegar lá: alcançar esse amor Ágape que não exige nada em troca, que é completo por si só e que se basta, sem exigência de posse mas com respeito! Respeito a vida, ao outro e principalmente a si mesmo.

Afinal, amar ao próximo como a si mesmo exige antes de tudo amar a si mesmo! Enxergar suas imperfeições e aceitá-las (o que não significa se acomodar a elas), pois para aceitar as falhas do outro e o amar mesmo assim, é preciso em primeiro lugar se reconhecer imperfeito. Imperfeito, e mesmo assim digno de AMOR.

Amor dado é Amor recebido...
Essa é uma troca não exigida, mas mesmo assim realizada!


- Anna Emíllia Meira Soares - 15 de março de 2011

quinta-feira, março 03, 2011

158ª Voz - Carnaval

Já é carnaval Bahia! Vou mimbora pra Pasárgada, lá serei rainha, visto que o Rei tá de férias em Salvador! Salve Momo!

sábado, dezembro 04, 2010

157ª Voz - Acho que sou louca


E depois de escrever toda a minha vida e declarar o medo de esquecer e ser esquecida, eis que as palavras se perdem em algum lugar...

e eu recomeço a escrever pela terceira vez para falar de minha saudade...

saudade que começou mesmo antes de as coisas acontecerem...

saudade que eu já sentia ao acordar de manhã e ouvir minha mãe fazendo o café, o barulho do chinelo de minha avó, da grade se abrindo para a entrada de minha tia Eumar, da chave balançando com a vinda de tia Zaide...

saudade que já existia quando guardei em minha mente o cheiro de frango assando no fogão dia de domingo... a cor do sol, diferente de tudo, misturado à música de abertura do programa disney, ao barulho de carros de fórmula 1 misturado a shampoo Johnsons... os cachinhos feitos com pente flamengo no meu cabelo escorrido... e ser colocada no sol pra secar esses mesmos cachinhos...

Saudade que guardei de passear na calçada de casa, de bater o pé na porta de uma garagem no caminho da escola só pra escutar o barulho do eco... do misto comido com papai e mamãe após o ensaio do recital de piano... da bola jogada no quintal de casa... da tartaruga inteligente que reconhecia minha voz, dos coelhos que tínhamos que pegar pra por pra dormir em uma caixa pra não serem comidos por gato enquanto dormíamos...

Fora as outras saudades que tinham sido escritas, mas que por algum erro do blog viraram simplesmente lembranças... esquecidas em algum lugar da minha mente., esperando apenas um breve lampejo de memória pra ser reanimado...

Quando esse lampejo vier, escrevo...

Ainda acho que sou louca...
Anna Emíllia Meira Soares - Todas as Vozes - Salvador, 13 de dezembro de 2010

sábado, novembro 20, 2010

156ª Voz - Retardo Mental

Sábado á tarde, sol, calor... É assim que me sinto...




Sem comentários né?

quarta-feira, setembro 15, 2010

155ª Voz - Velhidades


Tenho dias assim:
Dias de te amar
Dias de amar a mim

Dias em que te odeio
Dias em que o ódio tem fim

Dias em que te quero
Dias em que não te quero em mim

Tenho dias assim:
Dias que me contradigo
E dias que contradizem a mim.

- Anna Emíllia Meira Soares - 15/09/2010

domingo, agosto 15, 2010

154ª Voz - Fevereiro



De longe veio, lá de terras bem distantes
por ora errante, gigante a me encontrar
Eu pequenina, alma menina, inocente
doce encanto, de um anjo a repousar

Veio distinto, qual brinquedo de menino
nunca já visto, visto quando tanto em vão
Pulsando letras, vagalumes, corações
sangue nas veias, tirou véus de ilusões

Menino lindo, como veio, fica então!
Te peço urgente, tão carente desse olhar...
Em minha mente qual barulho de um canhão,
Teu sim reflete o amor a começar.

- Anna Emíllia Meira Soares - 15 de agosto de 2010

quarta-feira, maio 26, 2010

153ª Voz - Escrever



Escrevo apenas, sem saber por quê!

Embora siga cantando entre tempestades,

Embora continue andando sobre as pedras...


Às vezes busco em vão por cantigas novas,

Como quem busca pérolas, tesouros, novidades.


Embora siga falando em vão sobre sentimentos

E diga palavras que não penetrarão ninguém,

Não canso de ser assim, por isso sigo!

Cantando as novidades em forma de tesouros,

Pérolas de mim.


Em pérolas de outrora, embora pardas,

Sem o brilho vão da inocência,

Oculto vozes, oculto sons,

Oculto desejos, sonhos,

Canções...

Escritas sob o pendor de um estandarte invisível!

Qual será?


A verdade é que me lanço às palavras

E elas se enlaçam a mim!

E ao tentar desvencilhar-me

Escrevo palavras soltas, largadas ao vento,

Como quem fala de amor a uma criança

Que embora não saiba o que lhe guarda a vida

Sabe brincar com o destino.


Apenas escrevo!

Preciso saber o porquê?


Anna Emíllia Meira Soares – 26 de maio de 2010

152ª Voz - Parte de mim



Num cantinho escondido de todos

Guardo uma menina assustada

Que nunca se cansa de se encantar com tudo.


Essa menina que vê o verde como único

E o céu como luz,

Se esconde pra que ninguém encontre o seu cantinho,

Porque o mundo não permite o encantamento.

O mundo destrói, mata, corrompe...


O mundo não é pra essa menina...


Para manter sua inocência,

Ao mundo revelo uma outra menina,

Disfarçada sob os recalques de uma mulher madura.

Uma mulher-menina triste, só, séria...

Uma menina-mulher com um olhar perdido e sentimentos ocultos,

Ocultados dentro do mesmo cantinho onde se esconde a menina assustada.


E em seu cantinho a menina espera por alguém a quem se entregou...

Aquele alguém que a põe no colo e lhe conta uma história de sentimentos puros...

Aquele alguém que sabe guardar segredos,

Se espantar com coisas simples...


Nesse cantinho oculto de minha alma

Guardo uma menina assustada

Que nunca se cansa de se encantar com tudo.

A parte de mim que sabe te amar...


Anna Emíllia Meira Soares – 24 de maio de 2010