quarta-feira, março 07, 2012

162ª Voz - Fábula


Um dia te faço uma fábula de amor
.
Doce, terna, piegas como todo amor sempre há de ser.

Como toda fábula, terá um toque mágico. Talvez uma Porta que nos leve a um mundo novo de Imaginação. Lá encontrarás roseiras, princesas, dragões e outras luas.

A minha fábula terá nós dois e o final será um "para sempre", pois tudo que é feliz deseja-se
eterno e faz-se imortal mesmo que chama.

A nossa fábula se passará em um quintal. Nele não se extinguirão as horas nem as palavras.

Nele nada acaba e corre um rio que nunca é o mesmo.

Um dia te faço uma fábula. E quanto tu acordares verás que a realidade é ainda melhor que o
sonho.

Te amo!

- Anna Emíllia Meira Soares - SSA 08/03/2012

sexta-feira, agosto 26, 2011

161ª Voz - Cansada...


Estou cansada do cansaço de nada sentir
Da falta de razão ou de esperança
Estou cansada de querer que tudo acabe
E de não ver motivos pra continuar
Cansada da falta de forças e de quereres
A não ser o querer paz

Estou cansada de forçar sorrisos
De me fazer de forte
e forçar mais, e mais, e mais
Estou cansada de me esticar pra por o chapéu
Onde a mão não alcança
E nem assim ter direito a férias

Cansada de querer ter fé
Cansada de não ver mudanças
Cansada das mudanças e da vida
De não saber o que o destino aguarda

Estou cansada e esse cansaço que não cede
É só uma voz que me lembra de minha humanidade
De ser sozinha, de estar sozinha
De cuidar e não ser cuidada
E de não poder sequer cuidar de mim
tão cansada
esgotada, enfim

Cansada de pedir socorro e ele ser mudo
ou pelo menos não ser ouvido ou lido por olhos atentos
Cansada do mundo que jogaram em minhas costas
E da culpa que carrego por estar cansada

Afinal, é minha obrigação...
Ou ninguém carrega o peso de uma luta sem final feliz?

- Anna Emíllia Meira Soares - 23 de agosto de 2011

terça-feira, abril 12, 2011

161ª Voz - Ouço o silêncio


O apego insiste em me rodear
Me prende a pessoas, passado, lembranças
Me apego e pego nas pegadas de outra vida
Que não me pertence mais e me tem

Ouço o silêncio das canções que vem de cima
Não dizem nada, mas as sinto e posso tocar
Toco lembranças intocadas por outras mãos
Recordações só minhas que eu já não quero mais

O apego cala a dor de não poder
Me pertencer ou pertencer a esse lugar
Em suas mãos minhas canções não choram mais
Lágrimas rolam para dentro desse olhar

Ouço o silêncio das canções que vem de mim
E que se calam por não saberem gritar
E ao cantá-las como canta o coração
O som é mudo...

O apego insiste!

Anna Emíllia Meira Soares - 12 de abril de 2011




terça-feira, março 29, 2011

160ª Voz - Para Dona Neusa


"De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo fazendo o meu eu

Se queres partir, ir embora,
me olha de onde estiver,
que eu vou te mostrar que eu to pronta!
Me colha madura do pé!

Salve, salve essa nega,
que axé ela tem!
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila
teu rebanho tá pronto!

Teu olho que brilha e não para,
tuas mãos de fazer tudo e até
a vida que chamo de minha...
Neguinha te encontro na fé!

Me mostra um caminho agora!
Um jeito de estar sem vc...
O apego não quer ir embora...
Diacho! Ele tem que querer!

Ó meu Pai do Céu! Limpe tudo aí!
Vai chegar a Rainha precisando dormir
Quando ela chegar Tu me faz um favor:
Dê um banto a ela que ela me benze aonde eu for!

O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
teu lar é no reino divino
Limpinho, cheirando alecrim!"

Maria Gadú - Dona Cila

terça-feira, março 15, 2011

159ª Voz - Amar ao próximo como a si mesmo!




Lei moral máxima e tão difícil de seguir...
É fácil amar quem te dá amor, quem é compreensivo, quem te entende, faz todas as suas vontades... Fácil amar alguém que nunca te contesta ou fere...

Mas como amar aquele que te odeia, que te machuca, maltrata, fere? Como amar aquele que mata, estupra, negligencia? Ainda vou precisar voltar nesse planeta muitas e muitas vezes antes de aprender a como fazer isso.

Espero um dia chegar lá: alcançar esse amor Ágape que não exige nada em troca, que é completo por si só e que se basta, sem exigência de posse mas com respeito! Respeito a vida, ao outro e principalmente a si mesmo.

Afinal, amar ao próximo como a si mesmo exige antes de tudo amar a si mesmo! Enxergar suas imperfeições e aceitá-las (o que não significa se acomodar a elas), pois para aceitar as falhas do outro e o amar mesmo assim, é preciso em primeiro lugar se reconhecer imperfeito. Imperfeito, e mesmo assim digno de AMOR.

Amor dado é Amor recebido...
Essa é uma troca não exigida, mas mesmo assim realizada!


- Anna Emíllia Meira Soares - 15 de março de 2011

quinta-feira, março 03, 2011

158ª Voz - Carnaval

Já é carnaval Bahia! Vou mimbora pra Pasárgada, lá serei rainha, visto que o Rei tá de férias em Salvador! Salve Momo!

sábado, dezembro 04, 2010

157ª Voz - Acho que sou louca


E depois de escrever toda a minha vida e declarar o medo de esquecer e ser esquecida, eis que as palavras se perdem em algum lugar...

e eu recomeço a escrever pela terceira vez para falar de minha saudade...

saudade que começou mesmo antes de as coisas acontecerem...

saudade que eu já sentia ao acordar de manhã e ouvir minha mãe fazendo o café, o barulho do chinelo de minha avó, da grade se abrindo para a entrada de minha tia Eumar, da chave balançando com a vinda de tia Zaide...

saudade que já existia quando guardei em minha mente o cheiro de frango assando no fogão dia de domingo... a cor do sol, diferente de tudo, misturado à música de abertura do programa disney, ao barulho de carros de fórmula 1 misturado a shampoo Johnsons... os cachinhos feitos com pente flamengo no meu cabelo escorrido... e ser colocada no sol pra secar esses mesmos cachinhos...

Saudade que guardei de passear na calçada de casa, de bater o pé na porta de uma garagem no caminho da escola só pra escutar o barulho do eco... do misto comido com papai e mamãe após o ensaio do recital de piano... da bola jogada no quintal de casa... da tartaruga inteligente que reconhecia minha voz, dos coelhos que tínhamos que pegar pra por pra dormir em uma caixa pra não serem comidos por gato enquanto dormíamos...

Fora as outras saudades que tinham sido escritas, mas que por algum erro do blog viraram simplesmente lembranças... esquecidas em algum lugar da minha mente., esperando apenas um breve lampejo de memória pra ser reanimado...

Quando esse lampejo vier, escrevo...

Ainda acho que sou louca...
Anna Emíllia Meira Soares - Todas as Vozes - Salvador, 13 de dezembro de 2010

sábado, novembro 20, 2010

156ª Voz - Retardo Mental

Sábado á tarde, sol, calor... É assim que me sinto...




Sem comentários né?

quarta-feira, setembro 15, 2010

155ª Voz - Velhidades


Tenho dias assim:
Dias de te amar
Dias de amar a mim

Dias em que te odeio
Dias em que o ódio tem fim

Dias em que te quero
Dias em que não te quero em mim

Tenho dias assim:
Dias que me contradigo
E dias que contradizem a mim.

- Anna Emíllia Meira Soares - 15/09/2010

domingo, agosto 15, 2010

154ª Voz - Fevereiro



De longe veio, lá de terras bem distantes
por ora errante, gigante a me encontrar
Eu pequenina, alma menina, inocente
doce encanto, de um anjo a repousar

Veio distinto, qual brinquedo de menino
nunca já visto, visto quando tanto em vão
Pulsando letras, vagalumes, corações
sangue nas veias, tirou véus de ilusões

Menino lindo, como veio, fica então!
Te peço urgente, tão carente desse olhar...
Em minha mente qual barulho de um canhão,
Teu sim reflete o amor a começar.

- Anna Emíllia Meira Soares - 15 de agosto de 2010

quarta-feira, maio 26, 2010

153ª Voz - Escrever



Escrevo apenas, sem saber por quê!

Embora siga cantando entre tempestades,

Embora continue andando sobre as pedras...


Às vezes busco em vão por cantigas novas,

Como quem busca pérolas, tesouros, novidades.


Embora siga falando em vão sobre sentimentos

E diga palavras que não penetrarão ninguém,

Não canso de ser assim, por isso sigo!

Cantando as novidades em forma de tesouros,

Pérolas de mim.


Em pérolas de outrora, embora pardas,

Sem o brilho vão da inocência,

Oculto vozes, oculto sons,

Oculto desejos, sonhos,

Canções...

Escritas sob o pendor de um estandarte invisível!

Qual será?


A verdade é que me lanço às palavras

E elas se enlaçam a mim!

E ao tentar desvencilhar-me

Escrevo palavras soltas, largadas ao vento,

Como quem fala de amor a uma criança

Que embora não saiba o que lhe guarda a vida

Sabe brincar com o destino.


Apenas escrevo!

Preciso saber o porquê?


Anna Emíllia Meira Soares – 26 de maio de 2010

152ª Voz - Parte de mim



Num cantinho escondido de todos

Guardo uma menina assustada

Que nunca se cansa de se encantar com tudo.


Essa menina que vê o verde como único

E o céu como luz,

Se esconde pra que ninguém encontre o seu cantinho,

Porque o mundo não permite o encantamento.

O mundo destrói, mata, corrompe...


O mundo não é pra essa menina...


Para manter sua inocência,

Ao mundo revelo uma outra menina,

Disfarçada sob os recalques de uma mulher madura.

Uma mulher-menina triste, só, séria...

Uma menina-mulher com um olhar perdido e sentimentos ocultos,

Ocultados dentro do mesmo cantinho onde se esconde a menina assustada.


E em seu cantinho a menina espera por alguém a quem se entregou...

Aquele alguém que a põe no colo e lhe conta uma história de sentimentos puros...

Aquele alguém que sabe guardar segredos,

Se espantar com coisas simples...


Nesse cantinho oculto de minha alma

Guardo uma menina assustada

Que nunca se cansa de se encantar com tudo.

A parte de mim que sabe te amar...


Anna Emíllia Meira Soares – 24 de maio de 2010

terça-feira, maio 18, 2010

151ª Voz - Talvez


Talvez eu me perca procurando saber o que não vivi,

Talvez eu me canse de procurar o seguro.

E no silêncio, perfeito, único,

Talvez me perca em promessas que nunca virão,

Em palavras que embora nunca ditas, serão mais belas.


Talvez me lembre de tempos que nunca existiram,

Ou viva de momentos imaginários.

Talvez me canse de ter esperanças e de por isso retornar ao ponto zero.

Quem sabe depois vazia, fútil ou só,

Talvez me canse de não ter esperanças e de não ter um zero pra recomeçar...


Quando não agüentar mais, talvez resolva ser feliz!

Pare de procurar, de relutar, de me perder,

de não ter esperanças, de buscar lembranças, de me esvaziar,

E comece a ser. Simples assim!


Mas isso é só talvez,

Pois não sei o limite de minha capacidade em suportar a dor.


Anna Emíllia Meira Soares – 18/05/2010

segunda-feira, abril 26, 2010

150ª Voz - ?



"Tá bem... Voltei ao período romântico/pântico/panificado. Minha voz anda meio rouca/caótica/confusa quiçá criativa, investida de neologismos brutais/insignificantes/insignificados.
Sei lá, sei lá... Só sei que é preciso paixão... Sei lá, sei lá... a vida tem sempre razão!"

Cuma? =O

hehehe




Tudo bem. Início nada a ver, e completamente sem noção esse meu... mas era meio assim a música que eu sonhei que inventava/plagiava. Inventava porque a melodia da parte inicial era outra, e plagiava, porque melodia e letras no final eram as mesmas do tema de abertura da novela da globo.

Resumo da ópera: Não vou ser compositora nessa encarnação nem mesmo em sonhos! Me contentarei em ter um blog!

E tenho dito!!!!

quarta-feira, abril 14, 2010

149ª Voz - Tiritas...


"Tiritas pa este corazón partío.
Tiritas pa este corazón partío,

Ya lo ves, que no hay dos sin tres,
que la vida va y viene y que no se detiene...
Y, qué sé yo,
pero miénteme aunque sea, dime que algo queda
entre nosotros dos, que en tu habitación
nunca sale el sol, ni existe el tiempo,
ni el dolor.

Llévame si quieres a perder,
a ningún destino, sin ningún por qué.

Ya lo sé, que corazón que no ve
es corazón que no siente,
o corazón que te miente amor.
Pero, sabes que en lo más profundo de mi alma
sigue aquel dolor por creer en ti
¿qué fue de la ilusión y de lo bello que es vivir?

¿Para qué me curaste cuando estaba herío
si hoy me dejas de nuevo con el corazón partío?

¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?

Tiritas pa este corazón partío.
Tiritas pa este corazón partío.

Dar solamente aquello que te sobra
nunca fue compartir, sino dar limosna, amor.
Si no lo sabes tú, te lo digo yo.
Después de la tormenta siempre llega la calma.
pero, sé que después de ti,
después de ti no hay nada.

¿Para qué me curaste cuando estaba herío
Si hoy me dejas de nuevo con el corazón partío?

¿Quién me va a entregar sus emociones?
¿Quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿Quién me tapará esta noche si hace frío?
¿Quién me va a curar el corazón partío?
¿Quién llenará de primaveras este enero,
y bajará la luna para que juguemos?
Dime, si tú te vas, dime cariño mío,
¿quién me va a curar el corazón partío?

¿Quién me va a entregar ..."

- Alejandro Sanz -

148ª Voz - Quando a chuva passar...


"Pra que falar?
Se você não quer me ouvir
Fugir agora não resolve nada...

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda
E essa tempestade
Um dia vai acabar...

Só quero te lembrar
De quando a gente
Andava nas estrelas
Nas horas lindas
Que passamos juntos...

A gente só queria amar e amar
E hoje eu tenho certeza
A nossa história não
Termina agora
E essa tempestade
Um dia vai acabar...

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela
E veja: Eu sou o Sol...
Eu sou céu e mar
Eu sou seu e fim
E o meu amor é imensidão..."

- Ramòn Cruz -

quarta-feira, março 31, 2010

147ª Voz - Saudade...


"Achei vendo em você, e explicação nenhuma isso requer! Se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar!"
- Nando Reis -

quinta-feira, março 11, 2010

146ª Voz - Prazo de Validade



Detesto coisas com prazo de validade. Não seria ótimo poder comprar um perfume que durasse para sempre, uma roupa que não saísse de moda, um litro de leite que ficasse na geladeira por vários anos sem azedar? Mas tudo na vida tem prazo de validade. O trabalho, as férias, os livros, os amores... A própria vida tem prazo de validade, e vivemos caminhando para o final dela sem saber quando este será. Eu não gostaria de ter uma data estampada no meu braço indicando por quanto tempo eu ainda posso ser consumida pelo tempo até porque em certos dias, viver cansa tanto, que gostaria de um prazo de validade bem curto, enquanto em outros, eu penso que bem que poderia vir escrito um "até o infinito"! O fato é que detesto pensar que tudo tem um fim. Um Ponto Final. A vida bem que poderia adotar o uso do ponto continuação, adotar o texto de um parágrafo só, ou quem sabe reticências...
Sou a favor do "Abaixo o prazo de validade"! Sou a favor de viver a vida pensando que ela vai ser longa e feliz! Acredito que existe o infinito, o eterno, o inacabável! Acredito que os sonhos devem existir, e que a gente pode sim viver no presente planejando o futuro!
Depois daqui, meu prazo de validade não acaba! Sou um produto não consumível, apesar de consumível e consumido pelo tempo e pelas agruras da vida! Mas prazo de validade? Eu não tenho um estampado na minha testa! Muito menos no coração!
E reticências...

- Todas as Vozes -

segunda-feira, março 08, 2010

145ª Voz - Ai delícia...




Ar condicionado = Fantástico
Ar condicionado + Salvador = MAIS FANTÁSTICO AINDA!
Post fantástico! =P

sexta-feira, março 05, 2010

144ª Voz - Educação

Esse é um post encontrado no www.sacaniei.blogspot.com, da estudante de jornalismo da UFAM Camila Baranda. Na verdade ela retratou a situação da educação em Manaus, mas cá entre nós, essa realidade se aplica também ao nosso querido estado, ou melhor dizendo, nosso querido país. O sucateamento da educação está aí para todos verem, e só não enxerga quem não quer.
E pensar que nos tempos de minha mãe, escola BOA era escola PÚBLICA! O que será que aconteceu?
Tá na hora de crescer, Brasil! Como ela pediu para divulgar, e acho que realmente vale à pena, lá vou eu! beijomeliga!

Todas as Vozes





Hoje, com 19 anos não tenho o porquê de falar um "ai" torto sobre a vida que meus pais têm me dado. Assim como eles nunca me deixaram faltar o básico (comida, educação e amor), eles também sempre se preocuparam em colocar no meu caminho pessoas que pudessem me dar o carinho necessário enquanto eles não estivessem presentes. Pois bem, é sobre isso que eu quero falar hoje: pessoas no meu caminho.

Tonha, ou Antônia, é a senhora que trabalha aqui em casa. Eu digo "trabalha",porque chamá-la de empregada não é legal. Enfim, a Tonha é uma das pessoas mais incríveis que já entraram nesta casa. Ela é um ser dotado de um dom que poucos possuem: ela é prestativa sem pedir nada em troca. Ela adora ajudar; adora fazer umas surpresas pra gente; limpa tudo sempre sorrindo e vive contando os "causos" na maior animação. Coisa que, às vezes, até nos assusta, porque a vida da Tonha é muito difícil e por causa disso, pela teoria, ela deveria ser uma pessoa amarga, infeliz e rancorosa. A Tonha é separada de um marido mequetrefe, mãe de 4 filhos, avó de um bebê lindo e acorda todos os dias antes do sol pensar em nascer.

Dia desses no almoço, a Tonha - na maior inocência- começou a comentar um "causo" sobre a escola dela (a Tonha tem mais de 30 anos e está correndo atrás de ter uma educação). Segundo ela, lá na escola que ela estuda os alunos PAGAM para fazer as provas. Eu pulei da cadeira:

"Como assim pagam Tonha? Não é escola pública?"

E ela:

"É sim, mas eles dizem que não têm dinheiro para pagar a xerox e cobram 10 centavos por folha"

A escola da Tonha se chama Escola Municipal Deputado Ulisses Guimarães, localizada no Mutirão (Cidade Nova). Ela estuda no período da noite.

Continuei questionando:

"Como assim Tonha, eles não têm dinheiro pra tirar xerox?"

E ela:

"É... Geralmente a professora avisa antes pra gente deixar o dinheiro ou vai pedindo na hora. O ruim é que nem sempre o povo pode pagar. Um dia desses teve uma prova de ciências e a xerox ia dar 20 centavos. Teve gente que não fez porque não tinha o dinheiro."

Vocês entendem o grau disso tudo? As pessoas não têm 20 centavos para pagar uma prova e ainda são punidas por isso. Segundo a Tonha, a professora diz que "não vai tirar do bolso dela. Quem tem faz, quem não tem não faz".

Primeiro: onde foi parar a grana que deveria ser usada para comprar esses papéis e pagar essas xerox? Segundo: estão sucateando a educação desse povo, onde já se viu uma pessoa não poder fazer uma prova por causa de 20 centavos?

Segundo a Tonha, isso não acontece só na escola dela. Na escola das filhas dela o caso se repete. Aqui as escolas : Escola Estadual Raimundo Holanda de Souza e Escola Estadual Professor José Lindoso.

Eu confesso que fiz minha parte. Falei com amigos jornalistas, eles foram atrás, mas infelizmente os alunos estão com medo de falar e sofrerem represália, mas não é por isso que eu vou ficar calada vendo a Tonha - pessoa que tanto me faz bem - e os seus colegas, serem humilhados desta forma. Se alguém quiser ajudar, é fácil: espalhe esse texto, mande pros amigos, pros amigos dos amigos, pras autoridades, pras autoridades das autoridades, enfim, espalhe. Não é só a Tonha que está sendo prejudicada, nós também estamos. Enquanto trabalhamos que nem cachorros e somos obrigados a pagar taxas e mais taxas (erro detectado, erro ajeitado, valeu Flávia), nosso dinheiro está indo pra Deus sabe onde!

É isso. Ajudem!

Camila Menezes Baranda"