sexta-feira, agosto 03, 2007

Sextuagésima Nona Voz - Todas as Vozes desistem


Se verter uma lágrima dói,
Machuca mais não vertê-la de alegria.
Sofre-se mais ao não ver-te um sorriso.

Loucamente, duramente, solitariamente
Derramamos nossos versos em poesia menor...
E eles são lágrimas endurecidas
De quem nunca sorriu da tristeza.

Se verter uma lágrima machuca,
Sofre-se mais ao não ver-te a alegria.
Dói mais não sentir o teu sorriso.

- Todas as Vozes -

Sextuagésima Oitava Voz - Momentaneamente Todas as Vozes são mudas


Me sinto cansada!
Adormecidamente fascinada!
Mas não quero chorar ou fazer sofrer.
Agora é só um momento em que insisto em fingir querer estar sozinha...
Mas não quero nem preciso estar solitária.

- Todas as Vozes -

terça-feira, julho 24, 2007

Sextuagésima Sétima Voz - Todas as Vozes não dorme


"Green light, Seven Eleven"
Casa, casa, casa, casa... Cadê meu sono? Quero dormir, mas esse cérebro não desliga! Acho que essa cadeira tá muito dura, preciso lembrar de colocar uma almofada... e eu nem comprei um maço de cigarros... eu nem fumo, porque precisaria de um maço de cigarros? Eu hein...
"Dressed up like a car crash"
Acho que a água ferveu... Meu deus é tarde, e eu trabalho amanhã bem cedo... e como ele disse aquilo? Como assim eu não ligo?
"Because when he hurts you, you feel alive"
Mas tô tão cansada de me machucar... tão cansada de cair... tão cansada de estar só... tão cansada de estar acompanhada...
"Red lights, gray morning"
Nem amanheceu ainda, mas a manhã já dói... a manhã já grita... o amanhã já é urgente... que música é essa? Ah! Stay... Adoro essa música...
"And if you look, you look through me, and when you talk, you talk at me, and when I touch you, you don't feel a thing"
Se eu pudesse ficar presa por vontade... livre por opção... tudo misturado... O que? Acho que já não estou mais raciocinando... tão distante de mim mesma, de minhas vontades, de meus sonhos... e ao mesmo tempo tão perto de tudo isso...
"And if you listen I can't call, and if you jump, you just might fall, and if you shout, I'll only hear you"
Acho que eu tenho que dormir... "If I could Stay" é... If I could stay... Then the night would give you up... Mas Bono... A noite não vai me trazer quem eu quero de volta... muito menos vai me dar quem eu quero... Tenho que dormir...
"Just the bang, and the clatter, as an angel hits the ground"
Poxa... Mas começou a tocar Elevation! Acho que posso esperar mais um pouquinho... Não tô com sono mesmo...

- Todas as Vozes -

sexta-feira, julho 20, 2007

Sextuagésima Sexta Voz - Todas as Vozes Grita


"Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo o que eu quis
Confesso a minha dor

E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal


E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu voe


E o que passou, calou
E o que virá, dirá
E só ao seu lado, seu telhado
Me faz feliz de novo


O tempo vai passar
E tudo vai entrar no jeito certo de nós dois


As coisas são assim
E se será, será
Pra ser sincero, meu remédio é te amar, te amar
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo o que eu sinto longe de você"


- Marisa Monte e Carlinhos Brown -

Sextuagésima Quinta Voz - Todas as Vozes diz


"Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular"

- Marisa Monte Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes -

sexta-feira, julho 13, 2007

Sextuagésima Quarta Voz - Todas as Vozes espera

"Há um vilarejo ali
Onde Areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa"
- Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes -

quinta-feira, julho 12, 2007

Sextuagésima Terceira Voz - Todas as Vozes se cala


"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você"

- Vinícius de Moraes e Tom Jobim -

segunda-feira, julho 09, 2007

Sextuagésima Segunda Voz - Odeon


"Ai, quem me dera
O meu chorinho
Tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorar
Ai, nem me lembro
Há tanto, tanto
Todo o encanto
De um passado
Que era lindo
Era triste, era bom
Igualzinho a um chorinho
Chamado Odeon

Terçando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tira da canção do violão
Esse bordão
Que me dá vida
Que me mata
É só carinho
O meu chorinho
Quando pega e chega
Assim devagarzinho
Meia-luz, meia-voz, meio tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém
Ah, quem diria que um dia
Chorinho meu, você viria
Com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer "não faz mal
Tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar com vocês"

Chora bastante meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar
Tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai, meu chorinho
Eu só queria
Transformar em realidade
A poesia
Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom
De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda percebo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece
Que sai só do coração
Se eu pudesse recordar
E ser criança
Se eu pudesse renovar
Minha esperança
Se eu pudesse me lembrar
Como se dança
Esse chorinho
Que hoje em dia
Ninguém sabe mais"

- Ernesto Nazareth e Vinícius de Moraes -

Sextuagésima Primeira Voz - Jobim por Djavan


"A correnteza do rio
vai levando aquela flor
O meu bem já está dormindo
zombando do meu amor

Na barranceira do rio o ingá se debruçou
E a fruta que era madura
a correnteza levou

E choveu uma semana
e eu não vi o meu amor
O barro ficou marcado
aonde a boiada passou

Depois da chuva passada
céu azul se apresentou
Lá na beira da estrada
vem vindo o meu amor

Ôu dandá, ôu dandá, ôu dandá, ôu dandá

E choveu uma semana
e eu não vi o meu amor
O barro ficou marcado aonde a boiada passou

A correnteza do rio
vai levando aquela flor
E eu adormeci sorrindo
Sonhando com nosso amor
Sonhando com nosso amor
Sonhando...
Ôu dandá..."

- Tom Jobim e Luís Bonfá -

quarta-feira, julho 04, 2007

Sextuagésima Voz - (nem sei se isso existe...)


"Coisa linda!
É mais que uma idéia louca,
ver-te ao alcance da boca...
Eu nem posso acreditar!
Coisa linda!
Minha humanidade cresce
quando o mundo te oferece,
e enfim te dás!
Tens lugar...
Promessa de felicidade,
festa da vontade,
nítido farol, sinal...
Novo sob o sol,
vida mais real...
Coisa linda!
Lua, lua, lua, lua...
Sol, palavra, dança, nua...
Pluma, tela, pétala...
Coisa linda!
Desejar-te desde sempre...
Ter-te agora um dia e sempre...
Uma alegria pra sempre..."

- Caetano Veloso -

quinta-feira, junho 14, 2007

Quinquagésima Nona Voz - John Lennon


“Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente.
Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém...”
- John Lennon -

quarta-feira, junho 13, 2007

Quinquagésima Oitava Voz - Amor e Bombas


O nosso amor
É um bebê tentando respirar
Enquanto isso eu passo longe a berrar
Bombas explodem
E granadas nos fazem beijar
Com mais ardor
Sem violência contra o nosso amor
Sua ausência é o meu terror
E a ciência não achou melhor remédio
Do que "I love you"
Para curar o mal que o mundo contraiu
Poder fazer da má notícia
Um pensamento de delícia
Seus olhos são dois milhõezinhos de dólares
Que assaltei com beijos metralhadores
À mão armada de carinho que não bate
Bomba de chocolate, meu amor!

- Eduardo Dusek -

segunda-feira, junho 11, 2007

Quinquagésima Sétima Voz - Flor


Flor!
Tô indo pro sertão!
Olha só meu coração como que tá!
Bate outra vez!
Descompassado, ritmado... seja lá, como quiser!
Mas bate qual sino!
Sino Forte, bravo, casadoiro!
Alguém bateu na minha porta!
Nem abri, nem perguntei quem era!
Eu respondi já fui!

- Todas as Vozes -

quarta-feira, junho 06, 2007

Quinquagésima Sexta Voz - Viagem


Hoje eu viajo! Pego minha mala, meu travesseiro e meu cobertor! Entro no ônibus e me despeço da Big City...
Sei que de madrugada verei a névoa! Sentirei o frio! O corpo pesado...
Sei que o raiar do sol me trará um horizonte mais que conhecido! E a chegada me trará o cheiro de anos passados...
O descer do ônibus, o descer da rua (ou o subir da ladeira)... as paredes azuis, as grades outrora marrons (hoje são brancas)... 75!
Queria tanto que essa viagem me levasse a mais do que minha casa. Queria que ela me levasse para o meu lar...
Mas o meu lar mudou, eu mudei, minha vida mudou...
Me lembro de uma canção...
"Mudaram as estações... nada mudou! Mas eu sei que alguma coisa aconteceu! Tá tudo assim... tão diferente..
Se lembra quando a gente tentou um dia acreditar que tudo era pra sempre... sem saber, que o pra sempre, sempre acaba...
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém, só penso em você e aí então, estamos bem...
Mesmo com tantos motivos, pra deixar tudo como está
Nem discutir, nem tentar, agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa...!"

- Anna Emíllia Meira Soares -

domingo, junho 03, 2007

Quinquagésima Quinta Voz - Poeta Orkutiano


"Ignoro tudo!

Te fiz mais para mim

do que para o mundo:

isso não ignorarei jamais,

apesar dos pesares de tuas palavras,

cheias de respostas árduas

e de desencontros."



- Paulino Vergetti -

sábado, junho 02, 2007

Quinquagésima Quarta Voz - Publicação a pedidos


... "Neste mundo de tantos anos,

entre tantos outros,

Que sorte a nossa hein?



Entre tantas paixões

Esse encontro,

Nós dois,

esse amor"...

- Liminha e Vanessa da Mata -

quinta-feira, maio 31, 2007

Quinquagésima Terceira Voz - Maria


Se eu fosse a sua
e não mais uma
as quatro luas eu lhe daria

Pra me tornar sua maria
uma canção eu cantaria

Minha resposta ao que eu ouvi
A mais bela melodia
foi roubar pra minha história
sua poesia de outrora

Não por jura ou promessa
nem perdão ou vaidade
Debaixo da condesseira
Sua maria de verdade


- Céu e Beto Villares -

Quinquagésima Segunda Voz - Mário Quintana


Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador"e fazem qualquer homem sofrer...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...

Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...

Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim... Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tão pouco compreenderá uma longa explicação.

Para o homem provar que é homem, não precisa ter mil mulheres. Basta fazer uma feliz...


- Mário Quintana -

segunda-feira, maio 28, 2007

Quinquagésima Primeira Voz - Hoje quem manda é você


Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros.
Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a finezade “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de virantes do que você pensa.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal...

- Chico Buarque -

Quinquagésima Voz - Sol


Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio
Viver pelado, pintado de verde
num eterno domingo
Ser um bicho preguiça e espantar turista
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol

Se Deus quiser um dia acabo voando
Tão banal, assim como um pardal,
meio de contrabando
Desviar de estilingue, deixar que me xinguem
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, banho de sol

Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo

Se Deus quiser um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim,
ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra

E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol

Se Deus quiser um dia eu morro bem velha
Na hora "H" quando a bomba estourar quero ver da janela
E entrar no pacote de camarote

- Rita Lee -

sexta-feira, maio 25, 2007

Quadragésima Nona Voz - Notícia antiga


Índio quer espelho para ver os "zóio"

Índio quer espelho
Pra ver azul do céu

Índio troca pureza por espelho
Índio troca pureza por azul
Índio quer reflexo puro

Índio quer azul do céu...
Mas céu não tem mais não...
Só tem fumaça...

E a pureza se cala
à sua própria sorte
e nega à vida qualquer fio de sorte...

E chora o homem,
e chora o Índio...
E chora o céu a falta do azul...

Índio faz dança da chuva
pra ver se chove alegria...
Mas do céu só cai lágrima...

- Anna Emíllia Meira Soares -

segunda-feira, maio 21, 2007

Quadragésima Oitava Voz - Blues


"Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêncio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem"

- Frejat e Cazuza -

sábado, maio 19, 2007

Quadragésima Primeira Voz - Se


"Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você diz que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...
Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não".
- Djavan -

quinta-feira, maio 17, 2007

Quadragésima Voz - Vinícius amou demais


"Nunca fui covarde
Mas agora é tarde
Amei tanto
Que agora nem sei mais chorar

Vivi te buscando
Vivi te encontrando
Vivi te perdendo
Ah, coração, infeliz até quando?
Para ser feliz
Tu vais morrer de dor

Amei tanto
Que agora nem sei mais chorar

Nunca fui covarde
Mas agora é tarde
É tarde demais enfim
A solidão é o fim de quem ama
A chama se esvai,
a noite cai em mim."

- Vinicius de Moraes -

Trigésima Nona Voz - De Lua


"Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."

- Cecília Meireles -

terça-feira, maio 15, 2007

Trigésima Oitava Voz - Só mais uma menina


E disse alguém que a Saudade pode matar
E disse outro alguém que a gente que mata ela
Em indiretas e diretas
Linhas aéreas
passagens, bagagens
violões em noites estreladas
outro alguém respondeu a alguém:
"Então mata! Assassina ela com todas as armas! Com todas as frutas que tiver direito! De todas as formas lícitas e ilícitas! De todo coração e com toda ação! Reação em qualquer sentido! Norte ou Sul! Terra ou ar! Toca um acorde e se manda! Termina a melodia! Finaliza a sinfonia! Canta a sua canção!"
E alguém dormiu feliz...

- Todas as Vozes -

Trigésima Sétima Voz - Na Sua Estante


"Te vejo errando e isso não é pecado,
exceto quando faz outra pessoa sangrar.
Te vejo sonhando e isso dá medo...
Perdido num mundo que não dá pra entrar.

Você está saindo da minha vida,
e parece que vai demorar...
Se não souber voltar ao menos mande noticia!
“Cê” acha que eu sou louca mas tudo vai se encaixar!

Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia!

E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos...
Eu estava aqui o tempo todo só vc não viu...
E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos...
Eu estava aqui o tempo todo só vc não viu...

Você tá sempre indo e vindo,
tudo bem!
Dessa vez eu já vesti minha armadura
e mesmo que nada funcione
eu estarei de pé
de queixo erguido.
Depois você me vê vermelha e acha graça,
mas eu não ficaria bem na sua estante.

Tô aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia!

E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos...
Eu estava aqui o tempo todo só você não viu...
E não adianta nem me procurar em outros timbres, outros risos...
Eu estava aqui o tempo todo só você não viu...

Só por hoje não quero mais te ver!
Só por hoje não vou tomar minha dose de você!
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam!
E essa abstinência uma hora vai passar..."

- Pitty -

sexta-feira, maio 11, 2007

Trigésima Sexta Voz - Dia das Mães


Vontade de ficar sozinha,
vontade de me olhar nos teus olhos
e ver a tua imagem refletida em mim mesma .

Tempo de reflexão,
de pausa,
de solidão...
De estar acompanhada em um vazio
que preenche todos os recantos de minha alma,
de minha casa,
de minha cidade.

No espelho a fé se despedaça em luz,
o caminho se obscurece em busca de si mesmo,
sem encontrar em meio a pedras
a construção tao esperada.

No silêncio penso ouvir tua voz,
mas não é a tua voz:
É minha própria voz,
tão parecida com teu jeito que às vezes me confunde...

O tempo não espera,
ele segue implacável sem remediar a dor.
Por que pra certos males não há cura.
Como não há cura no mundo sem o teu amor.

Espero apenas enxergar em mim um dia,
um pequeno lampejo do que me ensinaste a ser,
Mãe.

- Todas as Vozes -

quarta-feira, maio 09, 2007

Trigésima Quinta Voz - Margarida fulô


Nasceu uma fulô
No canteiro do peito meu
Que doeu quando muchô

Quando secô
Nasceu uma estrela bem me viu
Clariando meu quintal
Que doeu quando caiu

Quando caiu
Todo dia na boca da noite na serra
Acauã do calundú meu
Diz que doeu

E na sombra da estrada
nas noites de luar
Prá ela que de mim se escondeu
Cantiga diz que doeu
Cantiga diz que doeu

"Menina morena fulô
Candeia que alumiô
Morena minha fulô
Cantero que secô"

- Juraildes da Cruz -

terça-feira, maio 08, 2007

Trigésima Quarta Voz - Sem mais



Poetas e loucos aos poucos
Cantores do porvir
E mágicos das frases
Endiabradas sem mel

Trago boas novas
Bobagens num papel
Balões incendiados
Coisas que caem do céu
Sem mais nem porquê

Queria um dia no mundo
Poder te mostrar o meu talento pra loucura
Procurar longe do peito
Eu sempre fui perfeito pra fazer discursos longos
Fazer discursos longos sobre o que não fazer

Que é que eu vou fazer?

Senhoras e senhores!
Trago boas novas!
Eu vi a cara da morte e ela estava viva!
Eu vi a cara da morte e ela estava viva - viva!

Direi milhares de metáforas rimadas
E farei das tripas coração, do medo, minha oração
Pra não sei que Deus "H"
Da hora da partida
Na hora da partida
A tiros de vamos pra vida
Então, vamos pra vida!

Senhoras e senhores!
Trago boas novas!
Eu vi a cara da morte e ela estava viva!
Eu vi a cara da morte!

E ela estava viva - viva!
- Cazuza -

segunda-feira, maio 07, 2007

Trigésima Terceira Voz - Eu vim


"Vieste
Na hora exata, com ares de festa
E luas de prata
Vieste
Com encantos, vieste,
com beijos silvestres
Colhidos pra mim
Vieste
Com a Natureza,
com as mãos camponesas
Plantadas em mim
Vieste com a cara e a coragem,
com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor
Vieste
À hora e a tempo,
soltando meus barcos
E velas ao vento
Vieste
Me dando alento, me olhando por dentro
Velando por mim
Vieste
De olhos fechados, num dia marcado
Sagrado pra mim
Vieste com a cara e a coragem,
com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor."
- Ivan Lins e Vitor Martins -

Trigésima Segunda Voz - João e Maria


"Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?"

- Chico Buarque e Sivuca -

domingo, abril 29, 2007

Trigésima Primeira Voz - Ei, Flor!


"Onte eu vi maria no seu jardim
Tá cuiendo flor prá jogar ni mim
Bem que eu tô sabendo que ocê é meu
Tá cuiendo flor pra jogar ni eu
To doidim mode ela, ela doidim mode eu
Tá cuiendo flor pra jogar ni eu
Ei flor, cadê o cheiro que você prometeu
Ei flor, não venha me dizer que se esqueceu
Ei flor, será que não se lembra mais deu
Ei flor, daquele cravo dijuntim seu
Amor, nosso brinquedo no pé de juá
Ei flor, não esconda vê se vem me dá
Amor, será que ocê se esqueceu de mim
Não acredito no que vejo
Pois sei que o seu desejo
Era me amar até o fim
Amor, será que bicho foi que te mordeu
Ei flor, será que foi que se assucedeu
Amor, não lembra mais do seu dodói
Eu era o lírio dos teus olhos
Nóis banhava no riacho
Diacho valha-me deus
Ei flor, cadê o cheiro que você prometeu
Ei flor, não venha me dizer que se esqueceu
Ei flor, será que não se lembra mais deu
Ei flor, daquele cravo dijuntim seu"


- Juraildes da Cruz -

segunda-feira, abril 23, 2007

Trigésima Voz - Fairy Tale


"Era uma vez, num palácio encantado
uma Princesa que o destino escravizou
um Seresteiro que cantava na janela gostou dela
e foi aí que a história começou...
Os dois sonharam mil venturas mas o Rei
Por tirania, bruscamente os separou
E a Princesa foi trancada num castelo muito belo
e foi aí que a história terminou.

- Seresteiro esconde a dor dessa amizade na saudade,
que o teu amor, não volta mais.
- Sorria! Que ainda te resta a luz da lua!
A minha história é igual à sua!
Nossos destinos são iguais...
- Seresteiro eu também tive uma princesa que a crureza
do Rei malvado me levou...
- E hoje na minha estrofe mais singela,
vou cantando o nome dela
Triste lembrança que ficou!"
(Era uma Vez - René Bittencourt - Gravada por Gilberto Alves, 1945) - Agradecimento especial ao leitor do "Vozes em minha cidade", Iuri Guilherme dos Santos Martins

domingo, abril 22, 2007

Vigésima Nona Voz - Sua fala é como canção


Quantos levantes levarão meus dias?
Entre brilhantes, inocentes olhos
Me calo em prantos e em risonhos sonhos,
Choro palavras, coração disfarça.

E entre muros e estrelas mil,
te encontro em mim, meu solitário encanto
E em braços mornos, em doces quebrantos
Mil penas cumpro, prisioneiro em ti.

Reflito cores, sentimentos, dores
te faço ondas nesse mar azul
O velho canta novos horizontes
O novo teme seus antigos fins

Quantos levantes levarão meus dias,
que entre muros e estrelas mil,
reflete cores, sentimentos, dores,
de quem não vive pois jamais sentiu.


- Todas as Vozes -

sábado, abril 21, 2007

Vigésima Oitava Voz - Vamos ao próximo capítulo


Enjoei!
Tomei asco!

Tão repentino! Nem me dei conta do vacilo!
E surpresa, convivi com a cegueira!

Sem palavras para manter esse torpor,
despertei à realidade
hoje tão vazia...
Que bom o tempo dado!
Boa distância! Agradeço a Deus!
Cabeça fria: boa conselheira que me diz:
“Fruta Verde meu bem: dá dor de estômago!”

O gosto nunca sentido, hoje é amargo!
Tal qual o gosto verde de bile...

E nesse ínterim,
só tenho a dizer que enjoei!
Enfim! Tomei asco!
- Todas as Vozes -

quinta-feira, abril 19, 2007

Vigésima Sétima Voz - Fim de Festa


Quarta-feira de cinzas
Cinzas
Dia nublado, chuvoso
Assim como meus pensamentos
Meu humor.
Dia irônico para começar uma nova vida.
Cinzas
Será, que como uma fênix,
Vou juntar o que sobrou de mim mesma
E renascer com todo o esplendor?
Improvável.
Talvez eu renasça,
Sim.
Mas talvez o esplendor não seja meu ponto de partida
E sim as cinzas.


- Codinome F.E.L. -

Vigésima Sexta Voz - RESERVADA PARA VIGOTSKY E FREUD

Autores em processo pesquisa teórica, cosmológica, espiritual, animalógica, zoológica e antropológica!

sexta-feira, abril 13, 2007

Vigésima Quinta Voz - Saudade é Fome




Gente... Saudade é fome!
Saudade é fruta que não se come!
Verde dá dor de estômago,
Madura dá dor no peito

De tanto que dói a Saudade é sede!
É sede que água não mata,
mas que mata a gente de tão urgente...

Gente! Descobri que a Saudade é fome!
Minto! Foi Clarice! Ela que disse...

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas as vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Meu Deus! Como é que pode! Saudade é fome!
Que mata e corrói o coração do homem

Gente... Saudade pode matar!!!!!!
- Todas as Vozes -

Décima Quarta Voz - Sol de Tempestade




Era noite. Fazia frio e a chuva caía lá fora. Em minha cama, ouvia os trovões rebombando como balas de canhões, anunciando que a tempestade iria piorar. Ela veio e se sentou ao meu lado.
Conhecia aquele rosto, aquele sorriso, aquela voz. Amava aquele abraço e aquele cheirinho de alfazema. Suas mãos trouxeram-me um cobertor. A lã me fazia coçar, mas estava tudo bem, porque ela estava ali. O medo havia ido embora.
Hoje, a cama ainda está no mesmo lugar. Talvez caiam novas chuvas e novas tempestades. Mas há dez anos procuro por aquela mão, que apenas ao segurar a minha, me fazia crer que nada de ruim poderia acontecer... e ela não está mais lá...
- Todas as Vozes -


sábado, abril 07, 2007

Vigésima Terceira Voz - Cor de Coral


"Não sei...
se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,verdadeira, pura...
Enquanto durar"
- Cora Coralina -

sexta-feira, abril 06, 2007

Vigésima Segunda Voz - Ju e Pablo


Desde que te vi tô cego de paixão
Nunca mais pensei em mim, pirei
Quando a luz do teu olhar
Cruzou o meu olhar
Vi que ali estava a minha outra parte

Quis me aproximar
Daquele coração
Que eu nunca vi mas sempre amei
Se a vida tem um fim
O amor não é assim
Faz de cada vida uma outra parte do infinito amor

Tanto tempo esperando o infinito amor
Nossas almas, estrelas de eterno ardor, coração
Que só quer ser feliz, seja onde for
Breve coração
Tens um eterno amor
Que me inunda a alma de emoção
Ao saber que em algum lugar,
Outros tempos, outro mar,
Nossos olhos se cruzavam como hoje no infinito amor

Tanto tempo esperando o infinito amor

Nossas almas, estrelas de eterno ardor, coração
Que só quer ser feliz, seja onde for
Sem me falar li no seu olhar
Você sempre esteve em mim, hoje eu sei
Por uma razão maior a vida nos juntou
Para sempre unidos no infinito amor
Tantas vidas seguindo o infinito amor

- Jorge Vercilo -

quinta-feira, abril 05, 2007

Vigésima Primeira Voz - Aguando o Bom do Amor


Pra que mentir, fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor?
A emoção acabou!
Que coincidência é o amor!
A nossa música nunca mais tocou...
Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções?
Desperdiçando o meu mel, devagarzinho, flor em flor,
entre os meus inimigos, beija-flor!

Eu protegi o teu nome por amor em um codinome, Beija-flor!
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor!
Que só eu que podia dentro da tua orelha fria dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor...

- Cazuza -

quinta-feira, março 29, 2007

Vigésima Voz - Encantada


Ela é rara
como são raras as noites de se pintar a cara,
de colorir o céu
e se ofuscar estrelas

Como são raros os momentos de se esconder o rosto
por entre fotos e sonhos,
por trás de muros e espelhos

E pinta o nariz e sai pra rua
e pinta a rua com sua cor.
E a cor se ofusca por seu sorriso,
e as lágrimas se lavam meio furta-cor...

Furta-cor
Furta-amor
Fruta rara e boa de se provar
E que se prova ao se encantar
Encantada
- Todas as Vozes -
(Desenho obtido através do www.google.com.br)

terça-feira, março 20, 2007

Décima Nona Voz - Enquanto não chega o Mel...

"Eu encontrei-a quando não quis mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pra eu merecer
Antes de um mês...
Eu já não sei!

E até quem me vê lendo jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei
E ninguem dirá que é tarde demais, que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é quem sabe, pequena...

Ah vai! Me diz o que é o sufoco, que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia, eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei-a e quis duvidar!
Tanto clichê... Deve não ser...
Você me falou pra eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor

E só de te ver eu penso em trocar a minha TV, num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira, e ir onde o vento for...
Que pra nós dois, sair de casa já é se aventurar!

Ah vai! Me diz o que é o sossego que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar, eu sigo essa hora! Pego carona pra te acompanhar!"

Los Hermanos - Rodrigo Amarante
(a pedidos!!!!)